Papo de Arquibancada: Espinho na Pata
O Esporte Clube Taubaté está prestes a estrear no Campeonato Paulista da Série A3, mas ainda não motiva sua torcida. Segundo a cartolagem, o grupo de jogadores está fechado e novos contratados não devem chegar tão cedo ao Joaquinzão. Um clima de desconfiança, desânimo e falta de perspectiva tem pairado sobre a cidade, que não se sente confiante em apostar suas fixas na equipe de 2012.
Mesmo com a presença dos irmãos Gilsinho e Gisiel, verdadeiros xodós da torcida e atletas que passam confiança ao torcedor, o resto do elenco trazido pela diretoria, sob cuidados do treinador João Martins, não empolga. Boa parte desse pessimismo que assola a torcida vem também dos resultados do Taubaté no Torneio de Verão, disputado em meados de janeiro. Uma derrota para o Resende por 2 a 0, mostrando muitas deficiências, sobretudo na defesa, foi o marco inicial. Depois disso, no clássico contra o São José, o gol tomado aos 44 do segundo tempo acabou pesando muito mais nas costas do Burro da Central do que simplesmente o fato de deixar escapar uma vitória contra seu maior rival. Aquele gol significou mais um ponto negativo para a defesa alvi azul.
Na temporada passada o Taubaté tinha uma defesa forte. No elenco estavam os zagueiros Léo, Dutty, Pitty, Emerson e Gabriel. De todos esses, apenas o jovem Gabriel segue no elenco. Emerson foi para o Oriente Médio, Pitty saiu logo após o final da Série A3, Dutty tentou uma transferência para o futebol europeu, mas colheu apenas uma briga com Ary Kara e virou persona non grata aos olhos da cartolagem taubateana. Mas a perda mais grave para o Taubaté foi a do zagueiro Léo. Visto como um dos craques do time de 2011, ele era peça quase garantida para este ano. Entretanto, não chegou a um acordo salarial com o Burro da Central e preferiu assinar contrato com o Capivariano, adversário do Taubaté na mesma competição. Afirmo que perder um zagueiro da categoria de Léo para um time da mesma divisão é, no mínimo, falta de noção de que não será possível achar outro do mesmo nível por um valor dentro dos paupérrimos padrões financeiros que o Taubaté hoje pratica.
De uma defesa forte e consolidada, para uma zaga que terá de mostrar em campo seu valor. Essa é a realidade que o Taubaté tem pela frente. Se no ataque a figura de Gilsinho é garantia de bola na rede, e Gisiel sob as traves transmite segurança, a defesa é o espinho que cutuca a pata do Burrão de 2012. Para estancar essa ferida que sangra antes mesmo do campeonato começar a única saída é os zagueiros calarem a boca dos críticos com boas atuações. Ao contrário, não vejo soluções, afinal, zagueiros bons custam caro, e provavelmente já estão empregados.






