Papo de Arquibancada – Taubaté 2x2 São José: Oportunistas
Taubaté, 15 de janeiro de 2012
A cada embate entre Taubaté e São José sinto aquele frio na barriga, uma ansiedade costumeira, uma apreensão pelo que pode acontecer dentro e fora do campo. Desde que vi meu primeiro clássico, no ano de 1999, quando o Burrão bateu o rival por 3 a 2 no Joaquinzão, na primeira edição da Copa Paulista (então Copa Estado de São Paulo), tenho sentido isso. Mas o encontro entre os dois maiores clubes de futebol do Vale do Paraíba pelo Torneio de Verão não foi dos mais animadores, quebrando um pouco a mística que cerca o confronto
Com certeza o horário impróprio que os organizadores do tal torneio escolheram para o jogo ajudou a espantar o público. A partida estava marcada para 13 horas, e acabou atrasando em 30 minutos por conta do time joseense que demorou a aportar no Joaquinzão. Soma-se a isso a ressaca que afetou os taubateanos depois da eliminação do time Sub 18 na Copa São Paulo no dia anterior. Como esquecer aquele Joaquinzão lotado com sei lá quantas mil pessoas se acotovelando para ver os meninos do alvi azul levarem dois gols do Primeira Camisa. Fazia tempo que o velho estádio taubateano não recebia tanta gente, a ponto de muitos torcedores ficarem para o lado de fora, por não caber mais ninguém. O fim foi, como ouvi dizer, um “Joacanazzo”, uma tragédia parecida com a que o Brasil sofreu na final da Copa de 1950.
Voltando a falar do clássico entre os profissionais, a coisa foi dura. Um jogo de qualidade técnica baixa, num gramado castigado pela chuva e pela sequência insuportável de jogos foi o que os aventureiros puderam ver. Nunca, desde o primeiro clássico do Vale que estive presente, vi tão poucos torcedores assistindo ao confronto. Verdade é que o Taubaté está em vias de preparação, aspirando ainda por reforços para melhorar o time que disputará o Paulista da A3, e essa falta de importância no jogo não animou muita gente. Já o São José, creio estar num desespero maior. O time estreia dia 26 de janeiro no Paulista da Série A2, e com o futebol apresentado por aqui, é sério candidato ao rebaixamento.
O jogo em si foi uma porcaria, salvo alguns lances de contra ataque, e lampejos do Taubaté por parte do meia Rafael, autor do primeiro gol, e do atacante Gilsinho, que acabou substituído na segunda etapa e dessa vez não deixou sua marca contra o rival. Pode-se dizer que o que mais animou a galera que esteve no Joaquinzão foi mesmo duelar com a pequena, mas barulhenta torcida do São José que compareceu ao clássico. Sem confrontos, sem confusão, apenas as provocações e troca de ofensas costumeiras.
Gostaria de frisar também que no clássico entre Taubaté e São José, basicamente somente as torcidas organizadas de ambos os lados estavam presentes em número considerável. De resto, eram alguns gatos pingados. Nenhum objeto ou bomba foi arremessado para dentro do gramado. Um dia antes, pela Copa São Paulo, o jogo do Burrinho contra o Primeira Camisa chegou a ser interrompido por conta de bombas, chinelos, guarda-chuvas, e grande variedade de objetos que foram arremessados dentro do gramado. As torcidas organizadas do Burro da Central foram prontamente responsabilizadas. A Dragões Alvi Azul, que já estava sob olhares atentos da Polícia Militar, foi culpada. Essa, por sua vez, empurrou o problema e tentou acusar a Comando 1914, que negou tal atitude, reafirmando inclusive que pede aos torcedores que se posicionam perto dela a não arremessar nada no gramado, pois tal atitude pode prejudicar o E.C. Taubaté.
Tais fatos só confirmam que os autores da chuva de objetos que paralisou a partida entre o Burrinho e o Primeira Camisa são expectadores comuns, que não fazem parte das organizadas e não têm o costume de frequentar o estádio de forma civilizada. O episódio da Copa SP pode, e deve, prejudicar o Taubaté. Perda de mando, jogos com portões fechados, enfim, seja lá o que for decidido vai servir como uma dura punição ao verdadeiro torcedor do Taubaté, que leva a culpa pelo que os oportunistas aprontam quando os portões da casa taubateana estão abertos.
Por Ronaldo Casarin
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