Papo de Arquibancada – Taubaté 2 x 1 Palmeiras B: Virada contra o Porco Genérico

 

Lembro como se fosse hoje o dia em que prestei vestibular para entrar na faculdade de Jornalismo. Era o último domingo de janeiro de 2003, as provas foram realizadas em dois períodos, sendo que o da tarde concentrava provas de disciplinas da área de exatas (matemática, física, química, etc), as quais sempre foram pedras em meu sapato. Nesse mesmo dia, Taubaté e Palmeiras B se enfrentariam pelo Paulista da Série A3.

 

Não tive dúvidas. Acelerei a resolução das questões no período da tarde e, numa correria dos diabos, consegui chegar ao Joaquinzão com o jogo rolando há uns 25 minutos. O Taubaté venceu, por 2x1, debaixo de muita chuva e sob os olhares de um público reduzido. Voltando ao presente, essas memórias me ocorreram devido ao jogo que presenciei nessa última quarta feira, em que o Burro da Central venceu o Porco Genérico novamente.

 

Obviamente tirando a prova de vestibular, muita coisa estava parecida. Um forte chuva caiu antes do jogo, o público foi bem pequeno, o jogo duríssimo e o placar final foi favorável ao Taubaté pelos mesmos 2x1. Depois de duas rodadas vexatórias, o Taubaté conseguiu se reabilitar, entretanto, ainda não há garantia alguma que o time vai engrenar rumo à classificação.

 

Num primeiro tempo equilibrado, tudo parecia se encaminhar para um empate sem gols. Contudo, uma falha da zaga deixou o atacante do Palmeiras B livre para fazer 1x0. O fantasma de mais uma derrota em casa voltou a rondar o estádio. Nos vestiários, segundo consta, tensão e cobrança entre jogadores. Na arquibancada, os poucos fiéis torcedores iniciaram um protesto, inicialmente virando a faixa da torcida organizada de cabeça para baixo, e em seguida entoando gritos de cobrança aos jogadores.

 

A receita parece ter dado certo. O Burro voltou “mordendo”, como se diz na gíria futebolística e logo conquistou o empate com o volante Flávio. Não demorou muito e, na base da pressão, virou o jogo com gol do zagueiro Paulo Henrique. Com 2x1 no placar, a coisa parecia se encaminhar para uma vitória tranquila, provavelmente com um terceiro gol alvi azul para encerrar a contagem. Claro que isso não aconteceu e a tensão foi grande até o último minuto.

 

Vencer o até então vice líder do campeonato foi importante, mas nada mais que uma obrigação. Depois de ter perdido as duas últimas partidas em casa, era hora do Taubaté mostrar que tem time para buscar a classificação ao quadrangular que decidirá o acesso. Vencer todos os últimos jogos em casa é primordial. O primeiro passo foi dado.

 

Os protestos da torcida, apesar de tímidos, devem continuar ainda no próximo domingo, quando o Burro da Central visitará o obscuro Sport Barueri. A cobrança deve existir, já que, quando o Taubaté resolve botar a cabeça no lugar e colocar 100% de empenho em campo, a tendência é a equipe sair com a vitória.

 

Por último, deste jogo que parece ter sido uma retomada do caminho da glória, fica a constatação de que o atacante Val Ceará faz a diferença na equipe. Afastado por vários jogos depois de uma contusão, ele retornou ao time na segunda etapa da vitória sobre o Palmeiras B e deu outro ritmo ao setor ofensivo taubateano. Ele é peça fundamental para um bom funcionamento do ataque e deve ser o titular absoluto da camisa 11.

 

Ronaldo Casarin

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